Paola Cruz de Lara
Diagnóstico; Estigma, Aceitação Familiar, Apoio.
Este Trabalho de Conclusão de Curso busca compreender as dificuldades vivenciadas por famílias diante do diagnóstico de um transtorno infantil, especialmente o Transtorno do Espectro Autista (TEA), e suas implicações para a inclusão escolar. A pesquisa, de abordagem qualitativa, adota procedimentos de pesquisa documental e análise de conteúdo (Bardin, 2016), com depoimentos de mães publicados em plataformas digitais e reportagens, articulados à literatura recente sobre desenvolvimento infantil e inclusão (Brito, 2024; Hilário et al., 2021; Alves, 2021; Gomes et al., 2022; Mantoan, 2003; Drago, 2020; entre outros). Os relatos foram organizados em quatro categorias: efeito emocional do diagnóstico, trajetória de aceitação, suportes sociais e interações com a escola. Os resultados apontam que o diagnóstico é vivido como quebra de expectativas, marcada por medo, tristeza, culpa e luto simbólico, e que a forma como o laudo é comunicado por profissionais de saúde pode aliviar ou intensificar esse sofrimento. A trajetória de aceitação envolve movimentos de negação, resistências e posterior reconstrução de expectativas e estratégias de cuidado, mediadas pela rede de apoio. À luz do conceito de estigma de Goffman, o estudo mostra que o laudo pode operar como marca social que antecipa expectativas negativas sobre a criança e interfere nas decisões parentais sobre buscar ou não o diagnóstico. Conclui-se que encurtar o tempo de negação e fortalecer a articulação entre família, escola e saúde são condições centrais para garantir direitos, combater práticas capacitistas e favorecer o desenvolvimento das crianças, orientada por uma perspectiva de inclusão escolar efetiva democrática anticapacitista e justa