Marildo Rafaeli Júnior, Rafael Manrique Lima
Cardiomiopatia hipertrófica, Síndrome de Yamaguchi, Hipertrofia apical, Diagnóstico cardiológico, Arritmias ventriculares
A cardiomiopatia hipertrófica apical (CHA), também conhecida como síndrome de Yamaguchi, constitui uma variante fenotípica rara da cardiomiopatia hipertrófica, caracterizada por hipertrofia predominante no ápice do ventrículo esquerdo. Apesar de inicialmente considerada uma condição de evolução benigna, estudos recentes demonstram que a CHA pode cursar com complicações relevantes, incluindo arritmias ventriculares, isquemia apical e risco aumentado de morte súbita. O relato de caso teve como objetivo descrever um caso clínico de CHA atendido em ambulatório de cardiologia, destacando seus achados clínicos, eletrocardiográficos e ecocardiográficos, bem como os desafios diagnósticos associados. Trata-se de um relato de caso retrospectivo, baseado na análise do prontuário, exames complementares e comparação com a literatura atual. O participante masculino, 70 anos, assintomático, apresentou inversão profunda de onda T no eletrocardiograma e hipertrofia apical assimétrica de até 24 mm no ecocardiograma, confirmando o diagnóstico. Houve registro de extrassístoles ventriculares e episódio de taquicardia ventricular não sustentada no Holter, reforçando o risco arrítmico. Conclui-se que a suspeição clínica, aliada ao uso integrado de métodos diagnósticos, é essencial para o reconhecimento da CHA, especialmente em populações não asiáticas, onde permanece subdiagnosticada. O caso evidencia a importância da estratificação de risco e do manejo individualizado para prevenção de desfechos adversos.