Letícia Santana Gilioli
Feminização da Pedagogia, Educação Infantil, Violência de gênero, Trabalho docente, Desvalorização simbólica
Este trabalho discute a feminização da Pedagogia, com foco na Educação Infantil, como expressão de violência simbólica e institucional dirigida às mulheres. O estudo parte da hipótese de que a associação histórica entre docência, cuidado e maternidade sustenta a desvalorização da etapa e rebaixa o reconhecimento profissional das professoras. Adota-se abordagem quali-quantitativa, de caráter exploratório e explicativo, combinando revisão bibliográfica sobre gênero, trabalho docente e violência com análise de dados institucionais do curso de Pedagogia da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP), referentes ao período de 1990 a 2024. Os dados mostram forte predominância feminina entre as concluintes (436 mulheres e 17 homens), o que confirma a permanência da feminização do magistério. A leitura desses resultados, à luz dos referenciais teóricos, indica que a docência na Educação Infantil segue marcada pela naturalização do cuidado como atributo feminino, pela compreensão da profissão como extensão do trabalho materno e por condições de trabalho precarizadas, configurando formas de violência simbólica e institucional. O texto dialoga com marcos internacionais, especialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 4 e 5 e as ações da Cátedra UNESCO de Prevenção da Violência contra as Mulheres, sugerindo que a igualdade de gênero e a valorização docente dependem de políticas que enfrentem a desvalorização histórica da Educação Infantil e reconheçam o caráter intelectual e político do trabalho das professoras.